A forja da liberdade

Coletânea de contos, poesias e crônicas de diversos autores, organizada por Arnaldo Giraldo (Edições AG) e publicada no ano de 2001.
Na antologia em questão, participo com a poesia intitulada A TRISTEZA DO POETA.


A tristeza do poeta
Eber Josué

Na escuridão do cárcere, 
Que é sua falta de inspiração, 
Chora o poeta. 
A chuva cai lá fora 
E o vento canta ao passar por entre as telhas 
Da casa do poeta. 
Cada gota de chuva que cai 
É uma nota musical no sibilar do vento. 
O sol, tímido, se esconde 
Da tristeza do poeta. 
A noite, com seu manto estendido, 
Não ousa expor as estrelas 
Às aflições do poeta. 
O poeta sofre e chora, 
Sem a inspiração necessária 
Para compor seu canto. 
O poeta chora, 
Pois sabe que a falta do canto 
Quebra todo o encanto que é ser poeta. 
‘Um poeta é o que escreve’, 
E ele agora perde a razão de existir. 

Na escuridão do cárcere, 
Que é sua falta de imaginação, 
Chora o poeta. 
E ouvindo a canção que compõe a chuva, 
E o entoar do vento em seu telhado, 
O poeta ri e chora. 
E o seu riso encoraja o sol, 
Que se atreve a aparecer. 
E o seu choro mescla-se à chuva que cai 
Numa torrente de prazeres, que se esvai 
Com a canção do vento que passa. 
E o poeta, que agora apenas ri, 
Aproveita-se da canção que a chuva deixou 
E do canto que o vento ensinou e, 
Rompendo-se todo do cárcere leviano no qual se via, 
Canta como uma andorinha após a chuva. 
E com toda a alegria que põe em seu canto, 
Descansa a um canto 
Enquanto canta
A Tristeza do Poeta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar.