Considerações sobre a obra 'Contos premiados', de Neyd Montingelli


por Eber Josué

Curiosa composição é o conto, esse fantástico e contraditório gênero literário. Por um lado, não há como não reconhecer que tenha menos apreciadores do que tem o romance – o que sabemos que se deve ao frustrante fato de que, por mais arrebatador que o seja, certamente terá pouca duração após o seu clímax. Por outro lado, é inegável que os seus fiéis apreciadores não sejam comuns leitores e devam ter apurada capacidade para discernir o que é belo, sem que seja necessário se ater ao próprio conceito de beleza.

Dignos de exaltação são aqueles que se aventuram na escrita de contos, pois fundem-se à própria natureza das coisas, a saber que o conto é o mais atemporal dos gêneros – o que sabemos, até aquilo em que cremos, o que nos permite ‘concluir’ de onde é que viemos e para onde iremos... Foi-nos contado.

Não raramente nos deparamos com certames cujo foco é a poesia. É quando podemos observar que tanto recurso disponível e tamanha liberdade atribuída ao gênero poético transformam a tantos em potenciais poetas. A poesia, que nem sempre esteve ao alcance de muitos, tem agora sua liberdade a todos quantos queiram. Por outro lado o conto, que sempre esteve ao alcance daqueles que dele quisessem fazer uso, possui o respeito de muitos que reconhecem não ter o domínio para dele fazer sua forma de expressão.

Nesta compilação de contos premiados em outros diversos ousados certames, Neyd Montingelli nos confirma a natureza ímpar desse gênero que se faz conter de diversos outros gêneros, capazes de nos divertir e emocionar, surpreendendo sempre.

Ao ler cada um dos contos que perfazem o conjunto desta obra, é dever de justiça parabenizar, para além do brilhantismo da escritora Neyd Montingelli, o senso crítico dos organizadores de cada certame no qual conste uma obra sua, na certeza de que foram muito felizes em quererem enriquecer-lhe em qualidade.

Tenho plena convicção de que esta coletânea será do agrado de tantos quantos a ela tiverem acesso, pois me prendeu do início ao fim e obrigou-me, sem nenhuma resistência, a concordar com o escritor argentino Mempo Giardinelli quando afirmou que ‘as pessoas jamais deixarão de contar o que se passa, nem de interessar-se pelo que lhes contam bem contado’.


Eber Josué
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Um comentário:

  1. Agradeço suas palavras Eber Josué. Nada como ter palavras de alguém que está sempre à frente de projetos literários. Acrescentou estrelinhas ao meu livro. Obrigada. Neyd Montingelli - Curitiba/Pr

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